O Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (CPAD) se localiza no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e está vinculado ao Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Rua Professor Álvaro Alvim, 400;
CEP 90420-020;
Cidade: Porto Alegre;
UF: Rio Grande do Sul

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Linha de pesquisa

AVALIAÇÃO GENÉTICA, BIOQUÍMICA E ASPECTOS PSIQUIÁTRICOS DE GESTANTES USUÁRIAS DE CRACK INTERNADAS EM HOSPITAL DE REFERÊNCIA EM PORTO ALEGRE

Financiadores:

Fundo de Incentivo à Pesquisa e Eventos

Investigadores principais:

Félix Kassler, LisiavonDiemen, Mauro Terra, Marilu Fiegenbaum

Equipe de pesquisa:

Lisiane Zavalhia

Início do projeto:

Outubro de 2017

Término do projeto:

Janeiro de 2020

Resumo

Entre gestantes, o uso de cocaína/crack está aumentando, o que traz riscos para a saúde da mulher e do recém-nascido, pois acarreta em morbidade materna, fetal e neonatal. Estudos mostram relação entre o uso de crack na gestação e a ocorrência de pré-eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, prematuridade e baixo peso ao nascer (AGHAMOHAMMADI e ZAFARI, 2015). Além disso, há um aumento significativo das taxas de internação em unidade de terapia intensiva neonatal e do tempo de hospitalização dos recém-nascidos, além de comprovadas consequências importantes sobre o desenvolvimento neurológico e intelectual das crianças expostas (CUNHA, 2007; BAUER, 2005). O usuário de crack é, habitualmente, poliusuário de outras substâncias psicoativas como álcool, maconha e estimulantes (SANCHEZ e NAPPO, 2002; GUINDALINI et al., 2006). Há, também, uma forte associação entre populações clínicas de usuários de crack e comorbidades psiquiátricas como depressão, transtornos de ansiedade, transtornos psicóticos e transtornos da personalidade ?principalmente transtorno da personalidade antissocial, fatores que podem influenciar na efetividade do tratamento, agravando o prognóstico (ZALESKI et al., 2006; KESSLER et al. 2008). Um estudo recente que comparou mulheres usuárias de crack, durante a gestação e puerpério, com mulheres não usuárias desta droga, apontou que: menos frequentemente tinham um companheiro, tinham um QI menor, apresentavam um maior risco de suicídio e, mais comumente, apresentavam transtorno da personalidade antissocial do que o grupo controle. Além disso, seus bebês tinham um peso menor na comparação com os bebês das gestantes que não usavam a droga (ZAVASCHI et al., 2014). De acordo com dados epidemiológicos, os indivíduos usuários de crack são aqueles que menos buscam ajuda entre os usuários de substâncias de abuso. Buscam apenas em situações agudas e tendem a apresentar uma baixa adesão posterior ao tratamento ambulatorial (GROSSI e OLIVEIRA, 2013). A gestação é um período no qual as mulheres tornam-se mais sensíveis e preocupadas com o seu bem-estar e do seu futuro bebê. Em virtude desta maior sensibilidade, a gestação torna-se portanto um período propício para uma intervenção terapêutica, especialmente no que concerne ao uso de drogas.